terça-feira, 7 de maio de 2013

4 DE MAIO FESTA DO SANTO SUDÁRIO

                                      4 DE MAIO FESTA DO SANTO SUDÁRIO






Celebrou-se em Fátima, no passado sábado 4 de Maio, a Festa do Santo Sudário, instituída por bula papal de Júlio II em 1506.



O evento, da iniciativa do membro do Centro Português de Sindonologia, o historiador Dr. Carlos Evaristo, teve o patrocínio da Casa Real de Bragança e da Casa Real de Sabóia (no âmbito do 30º aniversário da morte do rei Umberto II de Itália, o qual foi o ultimo proprietário de Sudário de Turim, tendo-o legado à Santa-Sé em disposição testamentária), bem como da Fundação Histórico Cultural Oureana , Fundação Dom Manuel II e World Apostolate, Fátima-Domus Pacis.



Na Capela Bizantina (ortodoxa)de Nossa Senhora de Kazan, nas instalações Domus Pacis estavam expostas relíquias cristâs da Lipsonateca («museu de relíquias» ) organizada pelo Dr Carlos Evaristo, bem como imagens de santos da Casa de Sabóia gentilmente cedidas para o evento.

A capela é digna de visita pela riqueza em arte sacra bizantina, nomeadamente ícones do Christus Pantocrator e da Virgem com o menino Jesus, e imagens dos Evangelistas e cenas das Sagrada Escrituras.



A preceder a cerimónia religiosa, que coincide com o Sábado de Aleluia do calendário Juliano (Ortodoxo) foi dada explicação aos presentes sobre a mais sagrada das relíquias-O Santo Sudário de Turim, e seu significado no âmbito da Paixão- pelo fundador do Centro Português de Sindonologia, o seu Presidente Dr. Lagrifa Fernandes.



A cerimónia religiosa, missa ortodoxa contou com a presença dos Capelães das Casas Reais de Sabóia e de Bragança, teve a participação de elevado núnero de pessoas nomeadamente membros do Centro Português de Sindonologia e convidados.

Durante a cerimónia que decorreu num profundo ambiente de espiritualidade, ao qual não foi alheia a envolvência musical proporcionada por um excelente grupo coral, foi exposta uma cópia pintada «ex-extractum» do Santo Sudário de Turim, produzida no século XVIII.

Recordamos que a designação «ex-extratum» significa que a peça em questão terá integrado elementos da relíquia original.

Segundo nos informa o referido historiador, durante séculos os nobres de Sabóia terão removido pequenas porções de tecido do Sudário de Turim as quais teriam sido integradas em «cópias» pintadas, muitas delas ainda existentes na Europa, algumas foram dadas como dote de casamento a princesas da Casa de Sabóia- recorde-se a cópia do Sudário trazida como dote pela rainha D. Maria Pia e qe se encontra no Palácio da Ajuda- outras serviram mesmo para amortalhar nobres da real casa.



Numa demonstração inédita, a cópia em questão foi a dado momento exibida da mesma forma que o Cavaleiro Robert de Clari na sua obra «La Conquête de Constantinople» descreve a mostra simbólica todas as sextas feiras, do Lençol Funerário com a imagem do Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo na Igreja de Santa Maria de Blachernae de Constantinopla em 1203, ou seja o sagrado lençol era elevado verticalmente de forma a ser visualizada a região ventral do corpo do Senhor envolvida por fumos de incenso, acompanhada de cânticos, bênçãos e simbolizando a Ressurreição.



Cerca das 13:00 horas e após a cerimónia religiosa, decorreu no excelente Auditório Domus Pacis uma breve sessão cultural sindonológica.



O historiador Dr. Carlos Evaristo apresentou uma interessante comunicação sobre o Culto do Santo Sudário de Turim e aspectos particulares de relíquias com ele relacionadas, nomeadamente as cópias ex-extractum, algumas existentes no nosso país.

Seguiu-se a apresentação de desenvolvimentos científicos recentes sobre o Sudário de Turim por Antero de Frias Moreira, que não serão detalhados por irem ser tema de um próximo «post»



O evento concluiu-se com um agradável almoço de convívio , após o qual membros do Centro Português de Sindonologia planearam a realização de futuras actividades culturais, possivelmente para Outubro próximo e incluídas no «Memorial ao Rei Umberto II de Sabóia».



                                                                                  Antero de Frias Moreira.



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segunda-feira, 1 de abril de 2013

OSTENSÃO TELEVISIVA DO SANTO SUDÁRIO DE TURIM

                              


                                  
                           OSTENSÃO TELEVISIVA DO SANTO SUDÁRIO DE TURIM




Tal como previsto, pontualmente às 16:30 (hora de Portugal) do passado sábado santo 30 de Março 2013, a estação televisiva «laica» RAI-Uno iniciou a emissão directa da catedral de S. Giovanni Battista em Turim no âmbito da ostensão televisiva do Santo Sudário de Turim que recordamos será ao que tudo indica o lençol que envolveu o corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo no sepulcro e no qual ficaram patentes as marcas da Paixão e a enigmática imagem da região dorsal e ventral do Seu corpo.



Esta mostra televisiva autorizada pelo Papa Emérito Bento XVI no seu ultimo dia de Pontificado, e que foi considerado um presente de despedida, ocorreu precisamente quarenta anos depois da primeira mostra televisiva a preto e branco, no pontificado de Paulo VI, permitiu que crentes e não crentes de todo o mundo, pudessem contemplar a reliquia mais venerada da Cristandade, e desfrutar de um programa de excalente qualidade, que durou cerca de hora e meia e surpreendeu pela riqueza do conteudo e mensagem nele implicita.


Não sendo uma exibição pública, não obstante o interior da catedral estava repleto, entre elementos de clero, membros dos coros, grupos musicais, palestrantes, e entre o público muitos deficientes em careiras de rodas, cuja presença foi especificamente solicitada pelas autoridades religiosas.


Usaram da palavra o professor Bruno Barberis (eminente professor catedrático de Fisica e Matemática da Universidade de Turim, e presidente do Centro Internacional de Sindonologia-Turim) o qual focou aspectos cientificos mas sobretudo espirituais do sagrado lençol, e o Arcebispo de Turim, Monsignore Cesare Noviglia, o qual também fez uma oração de benção às pessoas com deficiência presentes.

Outros membros do clero e laicos proferiram alocuções, leituras das escrituras intercaladas por excelentes performances de coros , áreas musicais executadas por uma jovem soprano italiana, declamações de poesia, tendo actuado também um grupo catalão que cantou a Ave-Maria na sua lingua e até um coro americano de «Gospel» surpreendeu pela força com que a cantora negra executava os temas vocais.


Conduzidos pelos seus acompanhantes os deficientes desfilaram em frente ao Santo Sudário, desta vez exibido na sua capela da ala esquerda do templo, sendo marcante observar a devoção e fervor daqueles que conservavam algumas capacidades mentais e motoras.


Mas sem dúvida marcante, e talvez mais um sinal de tempos de mudança,, foi a alocução do Papa Francisco a partir do seu gabinete no Vaticano, da qual destaco algumas passagens:

«Queridos Irmãos e irmãs, junto-me a todos vós reunidos perante o Santo Sudário e agradeço ao Senhor que atravez da tecnologia moderna nos oferece essa possibilidade... esta face tem olhos que estão fechados, é a face de alguém que está morto no entanto misteriosamente está a observar-nos e em silêncio fala-nos.

Como é isto possível? como é que crentes como vós param diante deste ícone de um homem flagelado e crucificado? É porque o Homem do Sudário nos convida a contemplar Jesus de Nazareth. Esta imagem impressa no tecido fala-nos ao nosso coração e motiva-nos a subir a colina do Calvário e olhar para o madeiro da Cruz e imergirmo-nos no eloquente silêncio do amor..... Por meio do Santo Sudário, a única e suprema palavra de Deus vem até nós...»

Depois de comparar o sofrimento patente na imagem do corpo flagelado e crucificado de Jesus no sagrado lençol, com o sofrimento de homens e mulheres provocados pela violência e pela guerra, o sumo pontífice realçou que o poder do amor de Deus e do Ressuscitado se sobrepõe a tudo o mais, terminando a sua alocução com uma oração de S. Francisco de Assis.



Bem haja a RAI que nos deu a possibilidade de desfrutarmos de um maravilhoso programa que nos proporcionou inesquecíveis momentos de um sublime prazer espiritual.

È tempo da Igreja tomar consciência do «tesouro» que possui e que é o legado que Deus permitiu chegasse até nós da imagem do Seu Filho, e do Seu sofrimento infligido pela maldade dos homens, ele é a palavra viva para a tão falada «nova evangelização».



                                                          Antero de Frias Moreira





segunda-feira, 25 de março de 2013

                    OSTENSÃO TELEVISIVA DO SANTO SUDÁRIO DE TURIM


Numa decisão inespeerada no seu ultimo dia de pontificado, o Papa Bento XVI autorizou uma Ostensão exclusivamente televisiva do Sagrado Lençol, no sábado santo de 30 de Março 2013, na linha do que proferiu aquando da sua homilia em Turim na Solene Ostensão de 2010, na qual o Santo Sudário de Turim foi designado pelo Sumo Pontífice como o «Icone do Sábado Santo».
Este acontecimento ocorrerá precisamente quarenta anos depois da primeira  mostra televisiva do Sudário de Turim , precisamente em 1973, em emissão a preto e branco, no pontificado de Paulo VI.

Considerado como um presente de despedida, o evento será transmitido em directo e internacionalmente a partir da catedral de S. Giovanni Battista de Turim às 17:15 horas (hora de Itália) , pela cadeia televisiva RAI- Uno prevendo-se mais de uma hora de duração.
À presenter data não se sabe ainda a composição do programa nem se alguma estação portuguesa irá aderir à transmissão, não obstante aqui fica a informação para que todos, crentes e não crentes de todo o mundo tenham a oportunidade de mais uma vez «contemplarem aquela misteriosa face que silenciosamente fala ao coração dos homens convidando-os a ver nela o rosto de Deus» (Papa Bento XVI- Junho 2008)


                                                                                                     Antero de Frias Moreira


                                                                              

segunda-feira, 23 de julho de 2012

UM NOVO LIVRO SOBRE O SUDÁRIO DE TURIM?

PARECER CRÍTICO SOBRE « THE SIGN: THE SHROUD OF TURIN AND THE SECRET OF THE RESURRECTION» de Thomas de Wesselow

Em Março deste ano (2012) a editora britânica Penguin publicou uma obra entitulada «The Sign: The Shroud of Turin and the Secret of the Resurrection» da autoria de Thomas de Wesselow, um historiador de arte assumidamente agnóstico.
Muito divulgada em termos publicitários, talvez pela capacidade da poderosa editora, passadas poucas semanas já era possível encontrar por pesquisa na internet a versão em língua portuguesa (do Brazil), com o apelativo título «O Sinal: O Santo Sudário de Turim e o Segredo da Ressurreição», talvez para com a inclusão do adjectivo «Santo» atrair a atenção do público de um pais com uma esmagadora maioria de católicos, e rapidamente surgiram apreciações críticas em sites anglo-saxónicos mas também em sites brazileiros.

Obviamente a publicação de um a obra abordando o Sudário de Turim foi para mim quase uma compulsão para efectuar a sua aquisição na versão original em língua inglesa ,não obstante o seu conteúdo não fosse novidade pois as criticas que li, nomeadamente no excelente congénere blog americano , Shroud of Turin Blog, não fossem muito abonatórias, parti mente aberta à exploração das 348 páginas de texto.

A obra está estructurada em 7 partes e 27 capítulos, integrando também uma considerável quantidade de imagens aliás de excelente qualidade, embora muitas sem relação com o Sudário de Turim.
Também fazem parte da obra abundantíssimas referências bibliográficas a obras literárias sobre as Escrituras e Cristianismo, sobre o Sudário de Turim incluindo alguns trabalhos científicos, referências a notícias na web e outras.

A linguagem utilizada é de um fluente, colorido e rebuscado inglês literário, de frases muitas vezes complexas, não muito acessível a um leitor com conhecimento médio da língua, obrigando à companhia de um bom diccionário, e a frequente inclusão no texto de referências bibliográficas, bem como notas de rodapé, obriga a inúmeras interrupções de leitura, e a nelas meditar pois o autor muitas vezes inclui nessas notas a sua opinião e interpretação.


O autor, Thomas de Wesselow historiador de arte o qual se assume como agnóstico, interessou-se desde hà vários anos pelo Sudário de Turim, pois como conhecedor da arte do período medieval refutou desde o inicio a possibilidade da imagem patente no Sudário obedecer aos padrões conhecidos dos artífices desse período, tanto mais que a imagem tem codificados atributos não enquadráveis numa hipotética elaboração medieval.
Tal como Sir Isaac Newton descobriu num rasgo de inspiração a lei da gravidade quando uma maçã lhe caiu na cabeça, Thomas de Wesselow teve a sua epifania sindonológica em 2004 quando meditava num edílico pomar, resolvendo empreender num projecto pessoal que iria resolver de uma assentada dois grandes mistérios remanescentes neste século XX!- o Sudário de Turim e a Ressurreição de Jesus Cristo !


A obra inicia-se por uma séria abordagem desciptiva de conteúdos de escrituras do Antigo e do Novo Testamento, incluindo abundantes referências e análise  aos escritos paulinos e Actos dos Apóstolos, duma forma respeitosa e com uma exegese que embora pessoal e nalguns casos discordante da feita por peritos em exegese bíblica, não choca o cristão conhecedor das escrituras ( contrariamente a uma obra portuguesa de um conhecido autor surgida no ano passado…).
O autor credibiliza as Cartas de S. Paulo mas assumidamente desvaloriza o conteúdo factual dos Actos dos Apóstolos …

  No que concerne ao Sudário de Turim a abordagem do autor é francamente decepcionante, pois além de relativamente sumária, é muito pouco abrangente no que respeita ao vasto conhecimento científico adquirido ao longo dos tempos sobre a relíquia mais venerada da Cristandade.
Não vamos obviamente analisar linha por linha a obra, mas no que respeita ao percurso histórico o autor de certa forma decalca a teoria do historiador britânico Ian Wilson, todavia com a agravante de a distorcer em alguns aspectos, nomeadamente no episódio do túmulo vazio do capítulo 20 do evangelho de S. João, tentando fazer prevalecer a sua opinião de que o que levou o discípulo a «acreditar» foi a peça de tecido que envolveu a cabeça de Jesus, enrolada à parte, desvalorizando completamente os «panos» ou «lençóis».
Também acrescenta mais um local ao percurso histórico inicial presumível do Sudário, a localidade de Damasco-o que é realmente uma novidade!- adiante veremos as suas razões.

Os aspectos científicos e controvérsias são abordados ao de leve (embora globalmente de uma forma correcta), todavia a análise de um conhecedor de arte e implicitamente das proporções corporais anatómicas à problemática das algumas desproporções anatómicas da Imagem Sindónica fique bastante aquém do esperado.
Os aspectos forenses da flagelação e crucifixão, nomeadamente lesionais, manchas e escorrências sanguíneas, são descritos com algum pormenor, no entanto a opinião do autor é em alguns casos discordante!!!nomeadamente na génese da escorrência da ferida da lança/trajectos sanguíneos lombares, relativamente à emitida por médicos peritos de patologia forense, e até do pioneiro da sindonologia científica, o Dr Pierre Barbet , o qual efectuou estudos experimentais sobre crucifixão em cadáveres nos anos trinta do século passado.
Por exemplo o autor «supõe» com a maior das naturalidades, para justificar o seu ponto de vista quanto à origem de determinadas escorrências sanguíneas, que o corpo foi virado de barriga para baixo num alegado processo de lavagem, ignorando pura e simplesmente que os ritos funerários judaicos proibiam que o corpo fosse alguma vez colocado em tal posição…
Parece-me presunçoso e mesmo arrogante um historiador de arte pôr em causa pareceres nomeadamente experimentais de médicos especialistas na matéria, como o fez relativamente ao Dr. Pierre Barbet.

Relativamente à questão de como se formou a imagem corporal no Sudário, Thomas de Wesselow menciona ao de leve mas desvaloriza as principais teorias nomeadamente as envolvendo qualquer forma energética radiante, concentrando todas as suas forças a defender e assumir como a única explicação plausível a teoria da reacção amino-carbonilo ou reacção de Maillard do Professor Raymond Rogers e da bioquímica Drª Anna Arnoldi.
Contrariamente aos próprios proponentes da teoria que admitem que esta não explica vários achados da imagem sindónica e ignorando críticas de outros cientistas, de Wesselow assume uma atitude de crença cega na validade da mesma!

Todavia o clímax da obra ( o que não me surpreendeu , pois tinha lido previamente várias críticas…) consta bàsicamente no seguinte:
Na interpretação do autor, o Sudário é autêntico pois nele está patente a enigmática imagem corporal do Jesus Cristo histórico a qual se teria formado no tecido por um processo natural perfeitamente explicável do ponto de vista científico.
Aqui está a primeira falácia, pois essa teoria não explica várias características da imagem sindónica, e tão pouco explica a coincidência do corpo ser removido do contacto com o tecido antes de uma eventual imagem ficar «saturada» e completamente indefinida, e o autor também não questiona sequer porque é que não existem mais imagens assim, porque se isso aconteceu dessa forma, ocorreu uma única vez na História e com um único homem.
Depois o autor tenta introduzir o Sudário e a sua imagem nos relatos evangélicos do túmulo vazio, procurando explicar racionalmente a Ressurreição de Jesus Cristo.
Para Thomas de Wesselow, Madalena , as santas mulheres e os apóstolos Pedro e João teriam visto as misteriosas imagens corporais patentes no lençol funerário, ficando convencidos que isso era um sinal de Deus que o Mestre tinha ressuscitado dos mortos.
Todavia, para de Wesselow, o episódio do túmulo vazio seria uma construção cristã ulterior, e argumenta especulando que quem entrou no túmulo para ungir o corpo de Jesus viu as imagens, teria levado o lençol funerário, mas não explica claramente o que teriam feito ao corpo, e admite mesmo a possibilidade dos restos mortais de Jesus terem sido colocados no mediático Túmulo de Talpiot. 
 De Wesselow além de não ser convincente com o argumento que o Sudário seria a própria ressurreição não fornece qualquer argumento plausível contra a descrição nos evangelhos do episódio do túmulo vazio, e entra num terreno pantanoso tentando «ressuscitar» um nado-morto, referimo-nos à teoria ficcional de que no Sepulcro de Talpiot estariam entre outros o ossário de Jesus Cristo, teoria completamente refutada pelos académicos que efectuaram o achado arqueológico em 1980 e que após uma recente «exumação» descansa em paz para todo o sempre.
Para além disso repesca o estafado mito da relação marital de Jesus Cristo e Maria Madalena, situação não descrita em nenhuma fonte nem mesmo nos evangelhos apócrifos de Maria ou de Filipe.

Thomas de Wesselow prossegue teorizando que os relatos doe evangelhos canónicos referentes às aparições de Cristo ressuscitado aos apóstolos, foram sim visualizações do Sudário com a imagem corporal de Cristo, admitindo que as referências Paulinas  às aparições de Cristo ressuscitado a S.Paulo, Pedro Tiago e aos doze apóstolos não passaram disso mesmo e a famosa aparição «a quinhentos dos nossos irmãos alguns dos quais ainda estão vivos», teria sido uma exibição publica do Sudário!!!
Na nossa humilde opinião, De Wesselow foi longe de mais na sua «exegese» do Novo Testamento, pois se existisse uma réstia de verdade na sua hipótese, nomeadamente na alegada exibição pública do Sudário, concerteza haveria algum relato de tal acontecimento, e o percurso histórico do Sudário teria uma lacuna preenchida.
Também tenta de uma forma nebulosa explicar o episódio da conversão de Paulo perseguidor dos cristãos, recordamos a visão de Jesus Cristo que Paulo afirmou ter experienciado na estrada de Damasco,  pela alegada visualização do Sudário em Damasco, localidade para onde supõe (mais uma vez…) que o Sudário tenha sido levado por discípulos.
O autor defende a concepção Paulina de uma «ressurreição espiritual» (não explica o que isso representa, nem nós sabemos o que isso poderá significar…) e condena o conceito da ressurreição física corporal de Jesus Cristo, que segundo advoga teria sido uma construcção ulterior lendário-ficcional por posteriores gerações de cristãos de finais do século I , inícios do II século quando o Sudário estaria oculto em Edessa.

Grosso modo, mais de um terço do livro é uma tentativa sem dúvida hábil de convencer o leitor de que o Sudário com a imagem corporal de Cristo flagelado e crucificado esteve na origem do alegado mito posterior que Jesus Cristo teria ressuscitado «corporalmente» dos mortos, recorrendo a argumentação especulativa e tentando com ela explicar múltiplas passagens do Novo Testamento, correlacionando-as (muitas vezes de uma forma forçada…) com outras do Antigo Testamento.

O autor,como agnóstico não consegue compreender o que intrigou o historiador E.P.Sanders (aliás uma das suas fontes citadas na bibliografia) o qual presume que algo de extraordinário deve ter acontecido depois da morte de Jesus Cristo para que aquele punhado de homens amedrontados depois da morte do seu Mestre, tenha ficado cheio de coragem para divulgar os ensinamentos, mesmo sabendo que poderiam enfrentar o martírio e a execução.

Contràriamente a De Wesselow que afirma categòricamente que o Sudário é a Ressurreição, e a explosão do Cristianismo no século I tem directamente nele a sua origem, a nossa interpretação vai noutro sentido, pois parece-nos muito forçado admitir que a visualização daquela imagem corporal mal definida no lençol funerário fosse o único factor que encheu os discípulos de coragem, e tudo o resto pura fantasia.
Para nós, sem dúvida o que não está explicitamente descrito no episódio do túmulo vazio no capitulo 20 do evangelho de S. João ( «viu e acreditou»)proporcionou aos apóstolos Pedro e João compreenderem a  ausência do corpo do Mestre, mas o que se seguiu, isso sim foi a verdadeira razão da explosão da mensagem da Boa-Nova e do nascimento do Cristianismo como crença, e da sua afirmação no poderoso Império Romano.

Não é totalmente negativa a nossa apreciação desta obra, pois apresenta de uma forma séria muitas passagens das escrituras, algumas que não conhecíamos, embora muitas vezes a exegese que delas faz o autor seja absolutamente especulativa e até fantasiosa, tem imagens de qualidade, e não deixa de ser uma mais valia para a Sindonologia o interesse e a assumpção explicita de autenticidade do Sudário de Turim por um perito de arte agnóstico.
No entanto, não consideramos  «strictu sensu» este livro uma obra sobre o Sudário, mas sim talvez a Tese de Doutoramento defendida por Thomas de Wesselow.

                                                                                           Julho 2012
                                                                               Antero de Frias Moreira
  

segunda-feira, 2 de abril de 2012

NOVO LIVRO SOBRE O SANTO SUDÁRIO DE TURIM

NOVO LIVRO SOBRE O «SUDÁRIO DE TURIM»

O Centro Português de Sindonologia tem o prazer de anunciar o lançamento pela prestigiada editora «Edium Editores» de uma nova obra sobre este fascinante tema, intitulada «Sudário de Turim mortalha de Cristo ou fraude medieval?», da autoria do seu membro executivo, o médico Dr. Antero de Frias Moreira, também elemento da «Associação dos Médicos Católicos Portugueses».



Nesta obra escrita com rigor científico e absoluta isenção do ponto de vista de crenças religiosas, depois de uma prévia apresentação do lençol patenteando a enigmática imagem da região ventral e dorsal do corpo desnudado de um crucificado e que é a relíquia mais venerada da Igreja Católica, o leitor é convidado a fazer o percurso histórico da relíquia desde Jerusalém até aos nossos dias, sendo apresentada uma versão mais realista da lenda do rei Abgar de Edessa, permitindo estabelecer a conexão do «Pano de Edessa» com a mortalha ou Sudário de Cristo de Constantinopla, e vinda deste para a Europa, bem como o seu historial no velho continente.

No percurso cientifico são destacados todos os eventos relevantes desde a desconcertante descoberta em 1898 do comportamento da imagem como um negativo fotográfico por Secondo Pia, até aos últimos desenvolvimentos tecnológicos de processamento de imagem, como a Imagem Holográfica do Homem do Sudário e a sua reconstituição fisionómica em 2010, passando por uma exaustiva análise dos famigerados testes de carbono 14 de 1988.

Noutros capítulos são mencionadas, racionalmente analisadas e discutidas as principais teorias dos detractores da autenticidade do Sudário, nomeadamente a famosa teoria que atribui a produção da imagem do Sudário a Leonardo da Vinci, assim como a teoria do microscopista Dr.Walter McCrone considerando o Sudário «uma bonita pintura, não obstante o trabalho de um artista».

A imagem corporal patente no Sudário é alvo de detalhada e actualizada explicação assim como as principais teorias de formação da mesma.

Aspectos não consensuais sobre outras imagens, nomeadamente florais e de moedas são também abordados de uma forma realista, não sem uma prévia integração precisa da questão dos pólenes patentes no lençol.

O leitor é também envolvido no conhecimento das antigas prácticas funerárias judaicas, na antiga liturgia e cerimónias da Igreja do Oriente e arte sacra bizantina, tomando também conhecimento de aspectos da lenda do Santo Graal potencialmente integráveis no tema.

A reconstituição da Via Sacra do Homem do Sudário, numa perspectiva médico cientifica consciencializará de uma forma impressionante o leitor sobre o sofrimento até então nunca descrito, pelo qual passou o homem cujo corpo foi envolvido naquele lençol.

No final da obra o leitor terá elementos para concluir a quem e porquê pertence a imagem corporal do Sudário, e se este é a mortalha de Cristo ou uma fraude medieval.

Crente ou não crente é convicção do autor que o leitor irá encontrar neste livro motivo para profunda reflexão.

Sendo o tema Sudário de Turim considerado controverso, esta obra tem como suporte numerosas referências bibliográficas literárias e websites pró e contra, estando também alicerçada em 159 artigos científicos, de carácter científico e históricos.

Estamos convictos de ter cumprido a missão de proporcionar aos leitores informação credível e actualizada sobre um tema muitas vezes abordado de uma forma inadequada e tendenciosa, bem como divulgar muitos aspectos a ele ligados e que concerteza serão elementos de enriquecimento cultural.

O seu lançamento está previsto no próximo mês de Abril 2012, com sessões de apresentação no Porto e em Santo Tirso.

Sessões de Apresentação

Santo Tirso

Apresentação em 17 de Abril 2012/ (terça feira) pelas 21:30 horas no Hotel Cidnay pelo senhor Padre Dr. Francisco Carvalho Correia, com a cortesia do Rotary Club de Santo Tirso

Porto

Sessão de apresentação oficial em 26 de Abril de 2012 (quinta feira) pelas 21:30 horas, na Casa do Médico-sala Braga, Ordem dos Médicos-Porto (ao jardim da Arca d’Água) pelo senhor Doutor Nuno Trigueiros.

Apresentação em 5 de Maio 2012 (sábado) pelas 17:30 horas, no Auditório da Paróquia de Ramalde pelo senhor Padre Almiro Mendes

Todos estão convidados!

O autor faz votos sinceros que a leitura da obra seja proveitosa, manifestando a sua disponibilidade para responder a quaisquer dúvidas ou questões colocadas atravez de comentários neste blog.

Bem hajam

Antero de Frias Moreira

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

ENCONTRO-ESTUDO E REFLEXÃO SOBRE O SANTO SUDÁRIO

Realizou-se tal como programado, no sábado 20 de Novembro, nas instalações do Centro Missionário Allamano no Museu de Arte Sacra e Etnologia dos Missionários da Consolata, em Fátima, o Encontro de Estudo e Reflexão sobre o Santo Sudário de Turim.
As actividades do periodo da manhã iniciaram-se pelas 10 horas com uma sessão de boas-vindas pelo Director do Museu, Dr. Gonçalo Cardoso, o qual sumarizou o historial das actividades dos Missionários da Consolata, que tem sede em Turim, cidade onde se encontra a sagrada reliquia.
Seguiu-se uma alocução do Dr. Lagrifa Fernandes, presidente do Centro, na qual a assistência foi elucidada do seu papel na divulgação de conhecimentos sindonológicos, atravez das inumeras exposições e palestras que realizou.
Do amplo e bem equipado auditório, a assistência foi encaminhada para uma sala preparada para o efeito, onde estava patente a exposição de abundante material sindonológico do Centro, nomeadamente recortes de jornais, revistas temáticas, muitos livros de caracter histórico-cientifico em várias linguas, DVD's, Actas de Congressos e Simposiuns e multiplos trabalhos cientificos incluindo alguns muito recentes, e que os participantes no evento podiam consultar à vontade, sempre que necessário com explicações personalizadas.
A joia da coroa da exposição foi tal como anunciado, uma valiosa réplica, em tamanho real do Santo Sudário de Turim, fotografia em tela, autenticada pelo Centro Internacional de Sindonologia de Turim.
Foi com incontida emoção que a maioria dos presentes reagiram à detalhada explicação proferida
pelo médico Antero Frias Moreira, sobre a imagem corporal patente no Sudário, e o inimaginável
sofrimento causado pelas lesões nela evidentes, resultantes da brutal flagelação com chicote romano, aplicação de um capacete de espinhos, e crucifixão romana.
Foi também explicada a imagem da ferida do lado, e justificada a justeza da descrição evangélica «donde brotou sangue e água» em correspondência com a patologia forense.
Seguiu-se a projecção de um instrutivo documentário da BBC sobre o Sudário de Turim, assim se encerrando o periodo da manhã.

A abrir as actividades da tarde, o prestigiado jornalista da TVI, Dr. João Paulo Sacadura,abordou o tema «O Sudário de Turim e os Cristãos», conseguindo cativar o público com a eloquência com que transmitiu o significado espiritual e teológico do Sudário na vivência cristâ, assim como a extraordinária importância atribuida ao mesmo por vários Sumo-Pontifices, tal como transpareceu na leitura de vários excertos de discursos papais.
Seguiu-se uma interessante comunicação, «O Santo Sudário na Catequese de Hoje» proferida por Maria da Glória Barroso, catequista da paróquia de Ramalde-Porto, reflectindo-se sobre as dificuldades e desafios da catequese na actual sociedade, e após referencias várias a conteudos das sagradas escrituras, como o Santo Sudário de Turim nelas poderia ser integrado como meio de comprovação fundamental do principal pilar da fé cristã- a Ressurreição- e ser instrumento de evangelização e consolidação da fé cristã para catequizandos de todas as idades.
A terceira comunicação esteve a cargo do médico Dr. Antero Frias Moreira, membro da Associação dos Médicos Católicos Portugueses, que apresentou «O Sudário de Turim e o Século XXI», divulgando-se os principais eventos sindonológicos do terceiro milénio, nomeadamente os fundamentos cientificos da definitiva refutação da validade dos testes de carbono 14 realizados em 1988 numa amostra do tecido do Sudário, bem como as actividades cientificas que foram e continuam a ser desenvolvidas, particularmente na área da imagem, tendo sido apresentada ao público pela primeira vez em Portugal, a reconstituição fisionómica da face do Homem do Sudário, complexo trabalho de processamento informático de imagem a partir dos elementos codificados na imagem do sagrado lençol.
Se o Sudário de Turim envolveu o Corpo de Jesus Cristo, então a assistência contemplou a Face de Cristo!
A assistencia foi também informada do crescente interesse mundial pelo tema, nomeadamente em paises árabes!
Foi sobretudo realçado como a ciência pode ser um instrumento de justificação e consolidação da fé cristã.
A terminar realizou-se um «Forum de Discussão e Testemunhos» presidido pelo Dr. Lagrifa Fernandes, com a contribuição da religiosa Irmã Maria Paula, a qual relatou as suas vivencias na actividade sindonológica.
Após cada comunicação houve um tempo de questões e debate, com interessada participação do público e elementos da mesa, não podendo deixar de serem destacadas as intervenções do Cónego Dr. Angelo Alves, do prestigiado médico Dr. Villaça Ramos, em representação da Associação dos Médicos Católicos Portugueses, do Conservador do Museu do Castelo de Ourém, Dr. Carlos Evaristo, e do fisico Professor Dr. Henrique Santos, as quais muito enriqueceram o evento.
No final o feed-back da interessada assistência foi francamente positivo, motivando a Direcção do Centro Português de Sindonologia a pensar empreender outro evento de maior dimensão, bem como outras novas actividades possivelmente para a próxima Quaresma.

Bem hajam
até breve

Antero Frias Moreira